"Prelúdio", por Martins Napoleão




As árvores aqui são tão altas
que as estrelas cansadas dormem nos seus galhos.
 
E há tanto silêncio nos seus vales
que o sol da tarde para, admirado, em cima das montanhas.
 
Os pássaros têm um canto tão bonito
que a madrugada nasce mais cedo para os ouvir.
E a noite é tão clara
que as almas pensam que seja um lago de se banharem.
 
Há tanta riqueza
que as águas mortas dos pauis brilham de noite
fabulosamente:
é um delírio tão grande como o da febre dessas águas.
 
A luz, de tão intensa,
atravessa a alma dos meus patrícios:
é por isso que há tantos poetas
na minha terra.



Martins Napoleão, em 
Poemas da Terra Selvagem
1940


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