Onde comer/beber
bares, cafés, lanchonetes, sorveterias & cabarés:
Fundado em 1957, o Suco do Abrahão funciona na esquina das ruas Rui Barbosa e Manoel Domingues, no Centro de Teresina. O salão simples reúne estudantes, trabalhadores, antigos frequentadores e clientes de diferentes partes da cidade. No balcão, são servidos salgados e sucos artesanais, espessos e preparados em sabores como cajá, bacuri, manga, mamão e abacate, um dos mais conhecidos da casa. O estabelecimento foi criado por Abrahão da Silva Gama, maranhense de São João dos Patos, que também ficou conhecido pelas conversas com os fregueses e pelos cartazes bem-humorados afixados nas paredes. Após sua morte, em 2021, o comércio permanece sob os cuidados da família e conserva o atendimento baseado na confiança entre a casa e o cliente. Em 2026, recebeu do Conselho Estadual de Cultura do Piauí o Selo de Excelência Gastronômica da Culinária Popular Piauiense. (NUNES, 1995; SOARES, 2003, 2007; CARVALHO, 2023; FLÁVIA; MELO; CÉSAR, 2025; G1 PI, 2026)
O Aqui Pegou aparece no conto “Carnaval, carnaval”, de Manoel de Moura Filho, como um bar situado nas proximidades da avenida Frei Serafim. Durante o carnaval de 1982, o local reúne grupos em torno das mesas, entre garrafas e copos de cerveja, enquanto blocos de rua percorrem a avenida. Do estabelecimento, os personagens acompanham o movimento dos foliões, as fantasias e a agitação do centro da cidade. O texto menciona ainda o banheiro do bar e as paredes desbotadas, compondo a imagem de um espaço simples, integrado à movimentação carnavalesca da Frei Serafim. (MOURA FILHO, 1983)
O Augusto Ferro é lembrado por José Ribamar Garcia como um reduto dos boêmios suburbanos do Mafuá. O nome fazia referência ao comerciante Augusto Ferro de Sousa, apontado como um dos pioneiros do comércio no bairro. Instalado na região durante a década de 1930, ele mantinha a mercearia Quitanda Nova e a Sorveteria e Picolé Amazonas, em um grande terreno situado no cruzamento das ruas Gabriel Ferreira e Amazonas. Ao redor de seus estabelecimentos, surgiram bancas de madeira e pequenos pontos de venda a céu aberto, formando uma feira livre que contribuiu para a consolidação comercial do Mafuá.
A presença do comerciante tornou-se uma referência para o bairro. O antigo aglomerado e a feira passaram a ser associados ao nome Augusto Ferro, preservado também na denominação popular do mercado da região. Em 1966, a Prefeitura iniciou a construção do Mercado Tersandro Paz, na Rua Lucídio Freitas, conhecido pelos moradores como Mercado do Augusto Ferro. O nome permanece ainda na praça situada nas proximidades. (NASCIMENTO, 2002; ANDRADE; ARAÚJO, 2012; GARCIA, 2008)
O Bar Acadêmico funcionava na Praça Pedro II, no Centro de Teresina. No poema “Praça Pedro II”, de Cineas Santos, o estabelecimento aparece associado à realização de negócios, compondo o circuito urbano formado pelo Cine Rex, pelo Bar Carnaúba e pela Predileta. (BORGES, 2011; SANTOS, 2010)
O Bar Amarelinho ficava no cruzamento da Avenida Miguel Rosa com a Rua Coelho de Resende. Em 1977, funcionava do fim da tarde até o amanhecer, sobretudo na passagem do sábado para o domingo. Reunia moradores da região, trabalhadores, artistas, atores, poetas, pintores e frequentadores de outros bairros. O estabelecimento tornou-se conhecido nas investigações sobre o assassinato de Helzano Ferreira de Sá por ter sido apontado como o último bar frequentado por ele antes da morte. (SANTOS, 2013)
O Bar Carnaúba funcionava ao lado do Theatro 4 de Setembro, na Praça Pedro II, e fazia parte da movimentação diária do centro de Teresina. Em 1957, Paulo Machado o descreve com pequenas mesas de superfície marrom expostas ao sol, ocupadas por homens de casimira cinza. Francisco Miguel de Moura menciona estudantes, desempregados, professores, torcedores, fumantes, homens de terno e gravata, fregueses que tomavam café e pessoas que permaneciam no local conversando e observando o movimento da praça.
O bar reunia artistas, intelectuais e boêmios. Geraldo Almeida Borges recorda as mesas com copos de cerveja, os encontros entre amigos e as conversas sobre política e sexualidade. Cineas Santos relaciona o Carnaúba aos conchavos realizados na Praça Pedro II e também registra a presença de ratos entre os alimentos. Guaipuan Vieira o descreve cercado por artistas e intelectuais. Edmar Oliveira inclui o estabelecimento entre os lugares frequentados por Nicinha, ao lado da porta do teatro, da Praça Pedro II e do Café Avenida.
A proximidade com o teatro permitia que os frequentadores passassem diretamente do bar para as sessões de cinema e outras atividades do edifício. O Carnaúba aparece ainda ligado ao ambiente político das décadas de 1960, quando notícias, ordens policiais e discussões públicas circulavam entre os fregueses. Em 1977, segundo Paulo Machado, o estabelecimento já não existia. Textos posteriores indicam que a galeria do Theatro 4 de Setembro passou a ocupar a área associada ao antigo bar. (MACHADO, 2018; MOURA, 1997; CIRÍACO, 1997; SANTOS, 2001, 2010; FERREIRA, 2010; BORGES, 2011; OLIVEIRA, 2014; VIEIRA, 2011)
O Bar Carvalho funcionava na Praça Rio Branco, próximo ao Café Avenida, à Igreja de Nossa Senhora do Amparo e ao Cine Olympia. Integrava o movimento comercial e de lazer do centro de Teresina, numa área frequentada por pessoas que se encontravam na praça antes de seguir para cinemas, teatros, cafés e outros estabelecimentos.
Na década de 1940 e ainda em abril de 1951, o Carvalho era um bar e restaurante bastante concorrido. A cozinha era comandada por Gumercindo, um cozinheiro espanhol lembrado por pratos como o filé à Carlos Gomes e a farofa de ovos. À noite, também era servido chocolate com gema de ovo batida, apresentado em uma xícara grande e consumido como uma refeição. Paulo Machado registra ainda o movimento que saía do Cine Olympia e chegava às mesas do bar.
Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro descreve o Bar Carvalho como um estabelecimento famoso, frequentado pela elite e conhecido pela qualidade da comida. Segundo o autor, o comércio pertencia à família de Firmino Filho e do vereador Inácio Carvalho. (RÊGO, 1988; MACHADO, 1982; LIMA, 2002; RIBEIRO, 2013)
O Bar da Dona Dezinha funcionava na região da Avenida Frei Serafim, nas proximidades da Igreja de São Benedito. Em 1983, aparece como ponto de observação e espera, com jovens reunidos na parte externa do estabelecimento. (SANTOS, 2013)
O Bar da Encruzilhada funcionava na esquina das ruas 24 de Janeiro e Olavo Bilac. Em 1997, Deusdeth Nunes registrou que o estabelecimento já tinha mais de trinta anos de existência. O proprietário era Maury Mauá de Queiroz, que também havia presidido o Piauí Esporte Clube. Segundo o autor, o nome do bar foi dado por Eudes Pereira.
O local reunia uma freguesia habitual e mantinha regras definidas pelo proprietário. Não eram permitidos jogos, instrumentos musicais, aparelhos de som em volume alto, clientes sem camisa nem comentários ofensivos sobre outras pessoas. Os frequentadores cotidianos tinham prioridade no atendimento, enquanto os ocasionais passavam por um período de observação. O fiado era reservado aos clientes de confiança. Na época descrita por Deusdeth Nunes, o tira-gosto servido era fruta da estação, embora Maury já tivesse preparado assados anteriormente.
Jamerson Lemos inclui o estabelecimento em um percurso noturno por diferentes bairros de Teresina. No poema, os personagens chegam ao Encruzilhada durante a madrugada, encontram Maury ainda no bar, bebem cachaça e depois seguem viagem quando o proprietário pede para fechar. Entre os frequentadores lembrados nas fontes estava o próprio Jamerson Lemos, poeta e corretor de imóveis. (LEMOS, 1996; NUNES, 1997)
O Bar da Tia Maria ficava no Encontro das Águas. Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro o cita entre outros bares e pontos tradicionais de Teresina. (RIBEIRO, 2013)
O Bar do Amauri é citado por Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro como reduto de jornalistas. (RIBEIRO, 2013)
O Bar do Big Neuso está localizado na Rua Arlindo Nogueira, nº 911, em Teresina, Piauí. (LEITE, s. d.)
O Bar do Cabecinha ficava no Cajueiro. Antes, segundo Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro, teria funcionado na Santa Luzia com David Caldas. O autor o descreve como reduto do famoso Basilão dos Cajueiros. (RIBEIRO, 2013)
O Bar do Chico aparece no poema “Cidade pacata”, de Nathan Sousa, integrado à paisagem urbana da Avenida Barão de Gurguéia. No estabelecimento, Gladstone Sucupira pede uma moeda para jogar na máquina caça-níquel, dois cigarros Derby e uma caixa de fósforos emprestada. A cena também inclui Willamy France, conhecido como o Pinto, e conversas entre os frequentadores.
O Bar do Cuspe funcionava na Rua 13 de Maio, em frente à Praça Pedro II. Aberto durante as décadas de 1970 e 1980, ocupava um corredor estreito, com aproximadamente 35 metros de comprimento e 3,5 metros de largura. O interior tinha um balcão comprido e mesas e cadeiras de madeira bastante desgastadas. O estabelecimento fechou em 1983.
O proprietário era conhecido como Seu Expedito e deixava os frequentadores à vontade. O bar não tinha horário certo para fechar e reunia boêmios, artistas e intelectuais. Entre os nomes lembrados estão Luís Melodia, Alceu Valença, Arnaldo Albuquerque, Afonso Lima, Santana e Silva, Tarcísio Prado e o maestro Reginaldo Carvalho. No local, bebia-se, namorava-se, discutia-se e conversava-se sobre música, teatro, política e acontecimentos da cidade.
Segundo uma crônica de Wellington Sampaio citada por Raimundo Nonato Lima dos Santos, o nome do estabelecimento teria sido dado pelo maestro Reginaldo Carvalho e estaria relacionado ao hábito de alguns fregueses cuspirem no chão. Manoel Ciríaco também menciona o Bar do Cuspe na movimentação noturna da Praça Pedro II. Depois do fechamento, uma lanchonete passou a funcionar no mesmo espaço. (CIRÍACO, 1997; SANTOS, 2019)
Associado à movimentação dos arredores do Verdão, o Bar do Estudante aparece no poema “Nos rumos do Verdão”, de Eduardo Rêgo Oliveira, em uma cena na qual “as frutas caem num ritmo de verso”. (OLIVEIRA, 2024)
O Bar do Finado João Arroz aparece como ponto de referência na Rua Rui Barbosa, na esquina onde funciona o Suco do Abrahão. (NUNES, 1995)
O Bar do Osvaldo funcionava perto da Casa do Estudante antes de se mudar para o Barrocão, onde ocupou o lugar do antigo bar de Luís Veloso. Seu proprietário, Osvaldo, era veterano de guerra e havia lutado no Suez. O estabelecimento era frequentado por sucessivas gerações de estudantes, muitos dos quais continuaram a visitá-lo depois de formados. Segundo Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro, o bar não tinha mesas nem cadeiras. Quando aparecia alguém conhecido, Osvaldo retirava de trás do balcão um tamborete. O balcão de madeira, com mais de cem anos, teria pertencido ao comércio do senhor Adelino. (RIBEIRO, 2013)
O Bar do Pernambuco é citado por Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro entre outros bares tradicionais de Teresina. (RIBEIRO, 2013)
O Bar do Picolé ficava na Praça do Liceu, na esquina das ruas Simplício Mendes e Desembargador Freitas. Era conhecido pelos picolés preparados com frutas, nos quais ainda se percebiam resíduos da polpa. Segundo José Ribamar Garcia, um boato de que a mulher responsável pelo atendimento estaria com tuberculose afastou os fregueses e antecedeu o desaparecimento do estabelecimento. (GARCIA, 2008)
O Bar do Porão do Clube dos Diários funcionava no porão do Clube dos Diários. Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro informa que, naquele espaço, existia um cassino. (RIBEIRO, 2013)
O Bar do Santana é lembrado como um dos bares mais antigos de Teresina. Teve um antigo endereço em frente à Igreja de São Benedito e, depois, mudou de lugar algumas vezes, acompanhado por seus frequentadores. Era reduto de famílias tradicionais, empresários e profissionais liberais, que formavam uma confraria e promoviam eventos ao longo do ano. (BORGES, 2011; RIBEIRO, 2013)
O Bar do Setenta e Um funcionava na esquina do Fripisa, no chamado Alto da Moderação, área onde existira o antigo Mercado Novo. (BORGES, 2011)
O Bar do Tetéu ficava no centro da Praça Saraiva e funcionava durante toda a noite. (BORGES, 2011)
O Bar do Zé de Melo funcionava na Avenida Dom Severino. Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro o descreve como um bar ainda em funcionamento à época do texto, muito frequentado e querido. O estabelecimento possuía uma confraria organizada de amigos de seu Zé. (RIBEIRO, 2013)
O Bar do Zé Garapa ficava na Piçarra, no local onde, segundo Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro, funcionava a Jacaúna. Era ponto de encontro de jogadores de sinuca. Entre eles, o autor destaca Raimundinho da Bindá, lembrado como o melhor jogador, e seu irmão Antônio da Bindá, apresentado como grande boêmio e cantor. (RIBEIRO, 2013)
O Bar e Livraria Punaré ficava próximo à Praça João Luís Ferreira. Pertencia ao professor e sociólogo Antônio José Medeiros e reunia, no mesmo espaço, bar e comércio de livros. (BORGES, 2011)
O Bar e Restaurante Cearense ficava nas proximidades da Praça do Liceu. Segundo Ací Campelo, foi provavelmente nesse estabelecimento que, em 1995, ele, Aurélio Melo e Henrique Costandrade conceberam, durante uma conversa acompanhada de cerveja, o Festival de Música da Chapada do Corisco, conhecido como Chapadão. (CAMPELO, 2012)
O Bar e Restaurante do Auto Esporte Clube funcionava na Rua da Palmeirinha, atual Clodoaldo Freitas. Segundo Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro, era procurado por quem queria comer uma boa panelada e foi o primeiro restaurante “delivery” de Teresina. (RIBEIRO, 2013)
O Bar Elis Regina funcionou entre 1996 e 1998 no prédio da União Brasileira de Escritores do Piauí, situado na Rua David Caldas, esquina com a Rua Félix Pacheco, próximo à Central de Artesanato Mestre Dezinho. Era administrado pelo ator e produtor cultural João Batista Sousa Vasconcelos. Uma área inicialmente destinada a café foi transformada em bar cultural.
Durante a reforma do Theatro 4 de Setembro, o estabelecimento concentrou parte importante da programação cultural de Teresina. Recebeu lançamentos de livros, espetáculos de teatro, música e dança, festivais gastronômicos, festas temáticas voltadas ao público GLS, festivais de rock e apresentações performáticas. Entre as atrações estavam a Companhia de Homens e o espetáculo Raimunda Pinto. O bar também criou o Troféu Elis Regina, destinado aos artistas que se destacavam no espaço.
O ambiente era pequeno. O público ocupava principalmente o corredor lateral e o quintal, onde havia um palco de aproximadamente cinquenta centímetros de altura. Bandas como Narguilê Hidromecânico, Mano Crispim e Into Morphin fizeram parte da cena musical ligada ao estabelecimento. O bar mantinha atividades durante toda a semana, inclusive aos domingos, e os encontros frequentemente se prolongavam pela madrugada. (SANTOS, 2019)
O Bar Imperial aparece no texto “Theresina”, de Geraldo Borges, entre os lugares e personagens associados à memória urbana de Teresina
Em 1979, o Bar Maracanã era lembrado como lugar para beber cerveja gelada, comer tira-gosto e conversar. (PAES, 2015)
O Bar Nós & Elis funcionou entre 1984 e 1994 nas proximidades da Universidade Federal do Piauí, na Zona Leste de Teresina. Foi criado por Elias Prado Jr. e recebeu esse nome em homenagem a Elis Regina. Segundo Geraldo Brito, o estabelecimento foi inaugurado em 25 de abril de 1984, no espaço anteriormente ocupado pelo Quinas Bar, enquanto o país acompanhava a votação da Emenda Dante de Oliveira. O bar surgiu, portanto, num período marcado pelas mobilizações em favor da abertura democrática. (BRITO, 2010; PINHEIRO, 2020)
O estabelecimento ocupava uma esquina estreita, descrita como semelhante a um ferro de engomar. Era pequeno, aberto para a rua e possuía bancos compridos, poucas cadeiras, mesas, balcão, iluminação simples e um palco muito próximo do público. Um corredor passava diante do palco e conduzia aos banheiros. Havia também uma janela de atendimento e uma pequena praça contígua, que em algumas noites se integrava ao movimento do bar. Depois do encerramento das atividades, o espaço foi ocupado por uma padaria. (BEZERRA, 2010; BRANDÃO, C., 2010; DURVALINO FILHO, 2010; MACHADO JR., 2010)
O Nós & Elis mantinha uma programação regular de música, poesia e teatro. Havia um artista ou grupo previamente contratado, que recebia cachê ao final da apresentação, enquanto outros músicos participavam por meio de canjas. Durvalino Filho atribui ao estabelecimento um papel importante no início da profissionalização dos músicos de Teresina, pois Elias Prado Jr. negociava e pagava os cachês dos artistas. Em determinada fase, a programação incluía poesia às quartas-feiras, rock aos domingos, samba às sextas-feiras e apresentações teatrais em algumas noites. (DURVALINO FILHO, 2010; PINHEIRO, 2020)
Entre os artistas que se apresentaram ou frequentaram o palco estavam Geraldo Brito, Edvaldo Nascimento, Roraima, Feliciano Bezerra, João Cláudio Moreno, Netinho da Flauta, Laurenice França, Cruz Neto, Emerson Boy, Júlio Medeiros, Tim Fonteles, Aurélio Melo e Patrícia Mellodi. Machado Jr. recorda que fez ali algumas de suas primeiras apresentações, com os grupos Noigandres e Luau. O bar também recebeu Netinho da Flauta, músico ligado aos grupos Candeia e Varanda. (ALMENDRA, 2008; BRANDÃO, L., 2002; MACHADO JR., 2010)
Patrícia Mellodi fez no Nós & Elis sua primeira apresentação profissional, aos 16 anos, durante a administração da família Fonteles. Depois de participar de uma canja, foi convidada por Moisés Chaves, responsável pela programação musical, a realizar o show Presença. A apresentação contou com direção, cenário, figurino, divulgação na imprensa e uma banda que incluía Geraldo Brito e Bebeto. (MELLODI, 2010)
A poesia também fazia parte da programação e da convivência cotidiana. Em 23 de outubro de 1986, Francisco Miguel de Moura recitou no bar poemas contrários à possibilidade de instalação de um depósito de lixo atômico no Piauí. Chico Castro recorda happenings realizados por poetas durante a madrugada. A Quarta Poética era destinada às leituras e declamações, e Elias Prado Jr. procurava garantir silêncio e atenção aos autores que ocupavam o palco. (CASTRO, 2010; MOURA, 2016; PINHEIRO, 2020)
O público reunia estudantes, professores, artistas, jornalistas, intelectuais, sindicalistas e militantes políticos. Muitos chegavam a pé ou de carona da UFPI. Nas mesas, conversava-se sobre música, literatura, universidade, greves, partidos políticos e a conjuntura nacional. Edvaldo Nascimento associa o bar às discussões universitárias, à UNE, às greves e aos encontros amorosos. Alguns jovens frequentavam primeiro os espaços culturais do centro e depois seguiam para o Nós & Elis, onde completavam a noite. (NASCIMENTO, 2010; SANTOS, 2019)
Cláudia Brandão descreve o bar como uma espécie de praça moderna, onde se encontravam amigos e circulavam notícias sobre a cidade. O espaço reduzido favorecia o contato entre as pessoas e a proximidade com os artistas. Ali surgiram amizades, namoros e casamentos. Em seu poema “O caso do burocrata MR-7 e sua amante Lee Diamond”, Chico Castro apresenta o Nós & Elis como destino de fim de semana de um personagem que bebia e conversava com frequentadores habituais. Elizabeth Oliveira, em “Eu e o bar”, representa o estabelecimento por suas luzes, pelo clima festivo, pela música popular brasileira e pela presença de uma mulher que atravessa sozinha a madrugada enquanto escreve poemas. (CASTRO, 1994; OLIVEIRA, 1996; BRANDÃO, C., 2010)
Em 1989, depois de uma discussão política com um cliente, Elias Prado Jr. encerrou sua administração. O bar passou para as irmãs Rita, Nazaré e Zezé Fonteles, que permaneceram até 1991, com Moisés Chaves na produção artística. Em 1992, recebeu uma nova administração e continuou funcionando até 1994. Depois do fechamento, permaneceu presente em poemas, crônicas, depoimentos e lembranças de seus frequentadores. (BORGES, 2011; MADEIRA, 2009; OEIRAS, 2010; PINHEIRO, 2020)
O Bar O Pinguim funcionava na Avenida Miguel Rosa, na região da Piçarra. (SANTOS, 2013)
O Sachas Bar funcionava na Avenida José dos Santos e Silva e era frequentado principalmente por artistas de teatro. Ací Campelo o recorda como um espaço de festa, conversas e encontros que se prolongavam até o amanhecer. Em uma dessas noites, durante a ditadura militar, o autor relata ter sido abordado e agredido por homens não identificados depois de deixar o estabelecimento. (CAMPELO, 2012)
O Bar Torquato Neto aparece no poema de Rodrigo Lobo Damasceno como imagem ligada a um vampiro solitário e bêbado que percorre as margens do rio Parnaíba. (DAMASCENO, 2020).
O Buraco do Toin ficava na Praça Pedro II e era frequentado por boêmios, intelectuais e integrantes da cena roqueira de Teresina. Zenon Camelo Deolindo recorda o local pelas cervejas, pelos tira-gostos e pela “meladinha”. (DEOLINDO, 2013)
O Amambay funcionava na Rua Paissandu e integrava a zona de prostituição de Teresina na década de 1960, ao lado dos cabarés Estrela e Fascinação. Cineas Santos o associa às noites de bolero, cerveja, boemia e circulação de prostitutas, cafetinas e frequentadores de diferentes grupos sociais. (SANTOS, 2001, 2016)
Funcionava perto do rio, em uma construção de madeira. A. Tito Filho o recorda em 1932 e afirma que ainda o observava em 1937. Era considerado um cabaré mais modesto (NASCIMENTO, 2016).
O Cabaré da Calu funcionava no bairro Piçarra e era um dos lupanares conhecidos de Teresina. Ao recordar os cabarés das décadas de 1930 e 1940, A. Tito Filho menciona ambientes com serviço de bar, danças até a madrugada e alcovas destinadas às mulheres. (TITO FILHO, 1988)
O Cabaré da Gerusa estava entre os principais lupanares de Teresina nas décadas de 1930 e 1940. A. Tito Filho descreve essas casas como espaços com serviço de bar, danças até a madrugada e alcovas destinadas às mulheres. (TITO FILHO, 1988)
O Cabaré da Maria Aguiar estava entre as pensões de mulheres conhecidas de Teresina no início da década de 1950. H. Dobal descreve esses estabelecimentos com restaurante, botequim, mesas ao ar livre, salão de dança e música executada por orquestras ou eletrolas. (DOBAL, 1952)
O Cabaré da Maroca aparece no poema “Corações da terra”, de Menezes y Morais, associado ao bairro Piçarra e às lembranças do Ginásio Álvaro Ferreira, da sinuca, da política estudantil e dos encontros entre amigos. (MORAIS, 2002)
O Cabaré da Pretinha aparece na crônica “Ainda Teresina”, de Cineas Santos, como referência da cidade popular, contraposta aos espaços ligados à modernização da capital. (SANTOS, 2001)
O Cabaré da Raimundinha, que recebia o nome de sua proprietária, Raimundinha Leite, estava entre os principais lupanares de Teresina nas décadas de 1930 e 1940. H. Dobal descreve essas pensões de mulheres com restaurante, botequim, mesas ao ar livre, salão de dança e música executada por orquestras ou eletrolas. (DOBAL, 1952; TITO FILHO, 1988)
O Cabaré da Zezé estava entre as pensões de mulheres conhecidas de Teresina no início da década de 1950. H. Dobal descreve esses estabelecimentos com restaurante, botequim, mesas ao ar livre, salão de dança e música executada por orquestras ou eletrolas. (DOBAL, 1952)
O Cabaré Danúbio funcionava na zona de prostituição da Rua Paissandu, nas primeiras quadras próximas ao rio Parnaíba. José Ribamar Garcia o descreve com fachada iluminada, salão à meia-luz, orquestra, mesas ao redor da pista de dança e quartos nos fundos. Tocavam-se boleros, sambas-canção, rumbas, tangos, foxes e baiões. Entre seus frequentadores estava o poeta Valdomiro. (GARCIA, 2008)
O Cabaré Estrela funcionava na zona de prostituição da Rua Paissandu, nas primeiras quadras próximas ao rio Parnaíba. Era um dos estabelecimentos mais conhecidos da região, com fachada iluminada, salão à meia-luz, orquestra, mesas dispostas ao redor da pista de dança e quartos nos fundos. Tocavam-se boleros, sambas-canção, rumbas, tangos, foxes e baiões. (GARCIA, 2008; SANTOS, 2016)
O Cabaré Fascinação funcionava na Rua Paissandu e integrava a zona de prostituição de Teresina. Na década de 1960, era lembrado ao lado do Estrela e do Amambay, em noites marcadas por tangos, rumbas, boleros, bebidas e boemia. (VIEIRA, 2011; SANTOS, 2016)
O Cabaré Rosa Branca estava entre os principais lupanares de Teresina nas décadas de 1930 e 1940. A. Tito Filho descreve os cabarés daquele período com serviço de bar, danças até a madrugada e alcovas destinadas às mulheres. (TITO FILHO, 1988)
O Cabaré Sete Tabacos funcionava na Barrinha, área de baixo meretrício situada na região conhecida como Palha de Arroz. Guaipuan Vieira recorda a Barrinha como um dos núcleos da prostituição popular de Teresina e menciona um cabaré conhecido como “Tabaco”, frequentado pelos chamados porcos-d’água, trabalhadores auxiliares das embarcações que circulavam pelo rio Parnaíba. (VIEIRA, 2011)
Bernardo Pereira de Sá Filho, com base nos depoimentos de Maria Tijubina e Luís Cavaquinho, identifica na Barrinha um estabelecimento chamado Sete Tabacos. O cabaré pertencia a Maria Moura e era formado por sete quartos geminados, com sete portas voltadas para a rua. O ambiente era simples e fazia parte de uma área marcada por construções de taipa e palha, iluminação por lamparinas ou velas e quartos equipados com cama, jirau ou rede. (SÁ FILHO, 2006)
Além dos quartos, havia um salão de festas, animado por músicos como Chico Bento, Zé Tabaco e Raimundo Carneiro. O estabelecimento não possuía propriamente um bar, mas um botequim que vendia aguardente aos frequentadores. Segundo o depoimento reproduzido por Sá Filho, não se servia cerveja. Entre seus clientes estavam vareiros, porcos-d’água, soldados, guardas civis e homens de menor poder aquisitivo, que não tinham condições de frequentar os cabarés mais caros da Paissandu. (SÁ FILHO, 2006)
O Café Art Bar funciona na parte frontal do Cine Rex, na Praça Pedro II, no Centro de Teresina. O estabelecimento é descrito como atuante há mais de cinquenta anos e frequentado por trabalhadores, estudantes, artistas e pessoas que circulam pela região. Durante o período de abandono do Cine Rex, permaneceu em atividade e apoiou manifestações realizadas pela recuperação do prédio. Nos poemas de Rodrigo M. Leite e Renata Flávia, o café aparece integrado à paisagem da Praça Pedro II. O primeiro registra a tarde consumida dentro do estabelecimento, entre o movimento urbano, o portão antigo e os ruídos da cidade. O segundo o situa entre bancos, postes, hippies, construções envelhecidas e as lembranças acumuladas na praça. (LEITE, 2013; FLÁVIA, 2014; REDAÇÃO, 2025)
O Café Avenida ficava na Praça Rio Branco, ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Amparo e próximo ao Bar Carvalho. Apesar do nome, não estava localizado em uma avenida. Muito concorrido durante a década de 1940 e ainda em funcionamento em abril de 1951, era ponto de encontro de amigos, intelectuais e membros da Academia Piauiense de Letras, que chegou a realizar eleições no estabelecimento.
Os frequentadores reuniam-se em torno do cafezinho para conversar sobre literatura, política, religião, música, notícias e acontecimentos cotidianos. Aos domingos, muitos passavam pelo café depois da missa das nove na Igreja do Amparo. Padre Acilino Portela também fazia ponto quase diariamente no local, onde arrecadava contribuições para as obras de reconstrução da igreja. À noite, os encontros podiam estender-se até por volta das 21 horas.
O estabelecimento pertencia a sírios e reunia integrantes da comunidade árabe, que ocupavam uma área separada ao fundo e conversavam sobre suas vidas e negócios. Edmar Oliveira inclui ainda o Café Avenida entre os lugares frequentados por Nicinha. Na década de 1970, seu espaço foi convertido em estacionamento do Hotel Luxor, antigo Hotel Piauí. (RÊGO, 1988; NUNES, 2001; LIMA, 2002; BORGES, 2011; OLIVEIRA, 2014)
O Cantinho do Tufy pertencia a Jesus Thomaz Tufy e funcionava na Rua Álvaro Mendes, esquina com a Rua Simplício Mendes. Segundo Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro, foi a primeira lanchonete a vender esfirra e quibe em Teresina. (RIBEIRO, 2013)
O Castelão Bar e Restaurante funcionava na Rua Rui Barbosa, a cerca de cem metros da Praça Rio Branco, no Centro de Teresina. Foi aberto por Agnelo Paes Landim em 1980 e permaneceu em atividade até meados de 1981. (PAES, 2015)
Chicona do Poti Velho é lembrada por Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro como figura folclórica ligada à comida popular. Segundo o autor, ela preparava piaba frita e peixe, inclusive os peixes das pescarias dele no Encontro das Águas. (RIBEIRO, 2013)
Em 1979, a Churrascaria Beira Rio funcionava no encontro da Avenida Maranhão com a Avenida José dos Santos e Silva, em Teresina. O estabelecimento oferecia jantar, música e dança e é apresentado por Arnaldo Boson Paes como o local da primeira boate da cidade.
A casa também recebeu o espetáculo musical Udigrude, descrito por Edmar Oliveira como o primeiro espetáculo musical realizado em uma casa de shows no Piauí. Arnaldo Albuquerque criou o cenário da apresentação. (PAES, 2015; OLIVEIRA, 2022)
O Clube VTS pertence a Vicente Trindade dos Santos, cujas iniciais deram nome ao estabelecimento. Surgiu a partir de uma marcenaria frequentada por artistas que levavam instrumentos para conserto e acabou transformado em uma confraria de acesso restrito, ligada à música popular brasileira, ao violão e às serestas. O peixe, servido frito ou ao molho com arroz, tornou-se a especialidade da casa.
Em 1997, o clube era registrado na Rua João Cabral, nº 30 Sul. Em 2017, aparecia na Rua Riachuelo, próximo ao cruzamento com a Rua Senador Teodoro Pacheco. Em 2025, era apresentado como um bar e restaurante com mais de sessenta anos de funcionamento no Centro de Teresina. (MARIANO, 1997; RODRIGUES, 2017; COELHO, 2025)
Fundada em 1979, a Sociedade Recreativa Clube dos 100 funcionava na Avenida Marechal Juarez Távora, no Parque Piauí. O clube recebeu bailes, festas de carnaval, forró, reggae e shows populares, tornando-se espaço de lazer e sociabilidade da Zona Sul de Teresina. Memórias de antigos frequentadores também registram apresentações de artistas como Beto Barbosa, além da Festa do Caju e do Festival do Sorvete. (REDAÇÃO, 2026)
O Coisa Fina aparece no conto “Carnaval, carnaval”, de Manoel de Moura Filho, como um bar frequentado durante o carnaval de Teresina. Na cena, um homem bebe acompanhado de uma mulher, que lhe oferece pedaços de carne. (MOURA FILHO, 1983)
O Espaço Cultural Zeus funcionou entre 1991 e 1995 na Rua Senador Teodoro Pacheco, nº 727, no Centro de Teresina. Instalado em um casarão com vários cômodos e amplo quintal, também servia de residência e local de trabalho para o músico Geraldo Brito e a atriz Vera Leite, responsáveis pelo estabelecimento. O nome fazia referência à canção “Zeus”, de Geraldo Brito.
O espaço possuía dois palcos, um interno e outro externo, e recebia apresentações musicais e teatrais. Os músicos locais apresentavam composições próprias e interpretações de artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque e Roberto Carlos. Em 1995, havia repertório de Roberto Carlos às quartas-feiras e chorinho às quintas, com Geraldo Brito, Rubeni Miranda e Edgar Lippo. A Companhia de Homens também apresentou suas esquetes no local.
Por sua proximidade com o Theatro 4 de Setembro, o Zeus tornou-se ponto de encontro e confraternização de artistas depois dos espetáculos. (SANTOS, 2019)
O Forró de Manoel Eugênio funcionava na Avenida Jacob Almendra, próximo ao Colégio Matias Olímpio, no bairro Porenquanto. Abria aos domingos, das duas da tarde até o anoitecer.
O estabelecimento reunia prostitutas, clientes e frequentadores vindos da região da Estação, do Morro do Querosene e do Móio de Vara. Soldados do 25º Batalhão de Caçadores e policiais também frequentavam o local. Segundo o depoimento de Carrola, as reuniões terminavam frequentemente em brigas e correrias. A fonte esclarece que o forró ficava em uma área residencial, fora das zonas de prostituição da cidade. Não há informação sobre o período exato de funcionamento. (SÁ FILHO, 2006)
O Forró do Pedro Toco funcionava no cruzamento das ruas Barroso e Santa Luzia, nos Cajueiros, próximo ao Barrocão. Realizado aos sábados, reunia principalmente cafetões, estivadores, desocupados e frequentadores vindos da Palha de Arroz.
O responsável pelo estabelecimento era conhecido como Pedro Toco. Segundo o depoimento de Luís Cavaquinho, ele tinha apenas uma perna, era considerado valente e expulsava os frequentadores que provocavam desordem. Embora o entrevistado inicialmente o chame de cabaré, em seguida esclarece que o local era propriamente um forró. A fonte não informa o período exato de funcionamento. (SÁ FILHO, 2006)
A Galinha da Júlia funcionava perto do Hospital São Marcos. Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro a apresenta como comida genuinamente teresinense. O prato era feito em panela de ferro e lenha, com galinha recheada com mexidos e bastante tempero. Segundo o autor, a receita morreu com Júlia, mas fez sucesso a ponto de tripulações da Real Aerovias levarem a comida de Teresina para o Rio de Janeiro e outras cidades. (RIBEIRO, 2013)
A Garapeira Estudantina funcionava na Rua Coelho Neto, no mesmo trecho da Casa Carvalho, do Cine São José e da Botica do Povo. Embora José Ribamar Garcia não informe as datas exatas, registra que o estabelecimento permaneceu em atividade durante duas décadas.
O prédio tinha duas portas, balcão em forma de L, prateleira, moenda de cana e compartimentos para armazenamento. Vendia caldo de cana, pão, massas, refrescos, mamões e vinagre. Abria às seis da manhã e encerrava o expediente às nove da noite. Aos sábados, distribuía garapa e pão aos pedintes. A garapeira entrou em decadência após o adoecimento do proprietário e fechou depois de ser transferida a outro responsável. (GARCIA, 2008)
O Gelatti funcionava na Avenida Frei Serafim, em frente ao sobrado do poeta Durvalino Couto. Pertencia a Raimundo e era frequentado pelo grupo ligado ao jornal Gramma. Seu tira-gosto era tripa de galinha torrada, servida geralmente depois das primeiras cervejas. (BORGES, 2011)
O Green Bar funcionou durante o ano de 1990 na Rua das Orquídeas, próximo à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Zona Leste de Teresina. Era administrado pelo músico Edvaldo Nascimento e por sua esposa, a professora e escritora Edna Nascimento.
Apesar do curto período de atividade, manteve uma programação intensa de música, teatro e humor. Apresentaram-se no local os músicos Chagas Vale, Gabi e Edvaldo Nascimento, os atores Amauri Jucá e Dirceu Andrade, Lari Sales com o monólogo Apareceu a Margarida e o humorista João Cláudio. O bar fechou por dificuldades financeiras e administrativas, entre elas o aumento do aluguel e questões trabalhistas. (SANTOS, 2019)
A Lanchonete do Chinês ficava no Centro de Teresina. No poema “Ter ex ina”, de Nathan Sousa, aparece associada ao consumo de caldo de cana com pastel de carne do Frigotil. (SOUSA, 2013)
Em 2011, a Lanchonete Mary Lucy funcionava na esquina da Praça Pedro II com a Avenida Antonino Freire, no Centro de Teresina. Administrada por Cornélio Evangelista da Costa, o Sr. Cornélio, estava instalada naquele ponto havia cerca de quarenta anos, o que situa o início de suas atividades por volta de 1971. O cardápio era conhecido pelo pão de queijo e pelo refrigerante. Segundo reportagem, mais de cem pães de queijo eram assados diariamente e consumidos ainda quentes. (VEJA, 2011)
O Largo do Boticário ficava no Clube dos Diários, no corredor à esquerda de quem entrava no clube. Segundo Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro, era reduto de escritores e intelectuais. O autor recorda também garçons conhecidos do lugar, como Raimundão, Careca e Cirilo. (RIBEIRO, 2013)
Maria Tabaco de Sola aparece na crônica como referência de uma boemia mais ostensiva, em contraste com a discrição atribuída à Maria Tijubina. (BORGES, 2011)
O restaurante da Maria Tijubina funcionava no bairro Mafuá, à margem da estrada de ferro, em um casebre instalado sobre o barranco acima da linha do trem. Nas décadas de 1970 e 1980, tornou-se conhecida pela panelada, mão-de-vaca, carne de sol e sarapatel. Frequentada por moradores, boêmios, poetas e artistas, era um ponto de encontro e de fim de noite. Segundo os relatos, Ací Campelo levou ao local músicos em passagem por Teresina, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Luiz Melodia e Alceu Valença. Na literatura e na memória da cidade, Maria Tijubina aparece como referência popular do Mafuá e de uma Teresina desaparecida. (LIMA; LOPES, 2009; SANTOS, 2001; MORAIS, 2002; OLIVEIRA, 2011; BORGES, 2011)
Também conhecido como Mercado Velho ou Mercado São José, o Mercado Central de Teresina formou-se nos primeiros anos da cidade, a partir de uma feira instalada nas proximidades da Praça da Bandeira. O edifício ocupa uma quadra entre as ruas Areolino de Abreu, Lisandro Nogueira, Riachuelo e João Cabral.
O mercado reuniu bancas, quiosques, açougues e lojas de frutas, verduras, carnes, peixes, ferragens, utensílios domésticos, raízes medicinais e artesanato. Também passou a abrigar lanchonetes, restaurantes e barracas de alimentos em seu entorno. Entre os produtos e preparos registrados pelas fontes estão panelada, dobradinha, tripa de porco frita, fígado picado, cachaça, peixes, cheiro-verde e peças de couro. (COUTINHO, 2010; SANTOS, 2001; MACHADO, 2018; VILHENA, 2013; ROLIN, 2015)
Na literatura, o Mercado Velho aparece marcado pelo cheiro dos alimentos, pelos pregões dos feirantes, pelas vielas ocupadas por negociantes e pela memória de verdureiras, artesãos, comerciantes e crianças. Os textos também registram a degradação de paredes e colunas e os contrastes sociais presentes no espaço. (FERREIRA, 1998; SOARES, 2003; SILVA, 2010; ROLIN, 2015; MACHADO, 2018)
Em relato situado em 1996, Guaipuan Vieira menciona o mercado como lugar procurado para a compra de um chapéu de vaqueiro produzido no Piauí. Wellington Soares recorda ainda que comerciantes do Mercado Velho e das redondezas forneciam brinquedos a um personagem popular conhecido como Avião, que os distribuía às crianças. (VIEIRA, 2011; SOARES, 2007)
Em outros textos literários, o Mercado Velho aparece como lugar de alimentação e comércio popular. José Pereira Bezerra representa mulheres preparando comida em fogareiros e oferecendo pratos-feitos a um homem que as auxiliava nos serviços cotidianos. Barros Pinho recorda os camelôs e a venda de pássaros. Wilton Santos associa o mercado ao consumo de caldo de cana, seriguela, sapoti e frito de porco. (BEZERRA, 1978; SANTOS, 1988; PINHO, 2001)
A Moby Dick era uma danceteria situada na região do Parque Piauí, próxima à divisa com o Lourival Parente. No início da década de 1980, integrava um circuito juvenil de dança, namoro e vida noturna. No poema “Ontem”, Luiz Valadares recorda as doses de rum com coca e as “noites navegadas” no estabelecimento. (DEOLINDO, 2013; VALADARES, 2014; PAES, 2015)
O Canteiro de Obras aparece como espaço cultural ligado à cena poética e artística de Teresina. Em 2010, Adriano Lobão Aragão registra que os encontros poéticos da Academia Onírica eram realizados no Orbital Cultural Canteiro de Obras. O grupo reunia Demetrios Galvão, Fagão, Kilito Trindade, Laís Romero, Thiago E., Valadares e Arianne Pirajá, articulando noites de poesia, zines, blog, exibição de documentários e experimentações entre palavra, música e performance. (ARAGÃO, 2010;)
No poema “Canteiro de Obras 2013”, de Renata Flávia, o espaço aparece associado à dança, à música e às intervenções policiais. Seu encerramento e a demolição do antigo casarão são representados pelas imagens de escombros, marretas, pé de manga e estacionamento. (FLÁVIA, 2013)
A Padaria da Praça do Liceu fornecia os pães vendidos pela Garapeira Estudantina. Eles eram buscados antes da abertura da garapeira, às seis da manhã. (GARCIA, 2008)
Pesqueirinho é citado por Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro entre outros bares e pontos tradicionais de Teresina. (RIBEIRO, 2013)
O Quinas Bar funcionava no espaço posteriormente ocupado pelo Bar Nós & Elis, inaugurado em 25 de abril de 1984. Geraldo Brito também recorda que no local ocorreu um episódio de violência contra o músico Peinha do Cavaco durante a ditadura militar. (BRITO, 2016)
O Raízes funcionava na antiga Avenida Fortaleza, em Teresina. No poema “Do tempo do Nós e Elis”, Ico Almendra o associa às lembranças da cena musical e dos bares da cidade. (ALMENDRA, 2008)
Em 1979, o Restaurante Asa Branca funcionava na Avenida Frei Serafim e era ponto de encontro da juventude de Teresina. (PAES, 2015)
O Restaurante da Dona Maria Maior funcionava na Rua Paissandu e era reduto boêmio. Segundo Eugênio Rosa de Oliveira Ribeiro, os homens “desciam” para o lugar depois dos filmes, das tertúlias e do movimento da Praça Pedro II. O autor informa ainda que o nome oficial do estabelecimento era Fála-se Hotel, possivelmente uma corruptela de Palace Hotel. (RIBEIRO, 2013)
A Sorveteria Bela Vista funcionava na Praça Pedro II, no Centro de Teresina. Em junho de 1969, o prédio do estabelecimento foi citado pelo jornal O Dia como referência para uma fotografia feita por Totó Barbosa de um OVNI observado no céu da cidade. (COUTINHO, 2018)
O Vagão Bar funcionava junto aos trilhos, na região da Miguel Rosa Norte. Em comentário publicado no blog Musa Esquecida, Gerval Willer recorda que o estabelecimento existiu nos anos 1980 e 1990 e menciona Polyana como gerente do local. (WILLER, 2025)
O Volley Bar ficava nas coroas do rio Parnaíba. No poema de William Melo Soares, o local aparece associado ao rock, às peladas, às festas, ao pôr do sol e à paisagem formada pela areia e pela lâmina d’água. Nêgo Valti servia piau frito e outros petiscos, enquanto Piedade oferecia “rabo de tatu”. (SOARES, 2015)
No poema de Herculano Moraes, Zuleide aparece associada a uma casa que oferecia peixe frito, frango assado e paçoca de carne bovina. (MORAES, 1977)
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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