"A tragédia do Posto King e a desforra na Avenida Valter Alencar", por Zé Magão
O que passou, passou,
fico triste ao lembrar,
quem viu nunca esqueceu
o caso que vou contar:
a chacina do Posto King
e a vingança na Valter Alencar.
No ano de 1974,
16 de fevereiro,
José Maria Chaves,
junto com dois companheiros,
bebiam tranquilamente,
como bons cachaceiros.
Por volta das quatro e cinquenta,
uma viatura de polícia apareceu,
em frente ao posto parou,
nisso Zé Maria estremeceu,
vendo os agentes armados,
porém não se escondeu.
Bateu a mão na cintura
com rapidez e inteligência,
seus revólveres cuspiram fogo,
bem certeiro e sem clemência,
e sobre o asfalto quente
tombaram LIMA, PINTO e PACIÊNCIA.
Eram três pais de família
na dura busca do pão.
Estavam ali sem vida
no meio da multidão,
a qual olhava assombrada,
com medo de confusão.
Junto com eles, a precatória
expedida pela polícia de Natal,
que exigia a prisão
do pistoleiro industrial,
que tinha feito outras vítimas
nessa bela Capital.
Renê, um advogado,
que sabia tim-tim por tim-tim,
por andar com Zé Maria,
teve depois triste fim,
foi executado em seu escritório
pelo policial Pé-de-vinvin.
Renê era suspeito
de ter ajudado a atirar,
Coronel Farias, amigo das vítimas,
quis então se vingar
e mandou Pé-de-vinvin,
com promessa de lhe ajudar.
O servidor público Cláudio Melo,
que andava com Renê e Zé Maria,
também foi para a cadeia
por beberem juntos naquele dia,
embora Zé Maria afirmasse:
- Só eu atirei - com ousadia.
Quem tem muito dinheiro
tem outro cheiro
prisão
que tinha feito outras vítimas
nessa bela Capital.
Renê, um advogado,
que sabia tim-tim por tim-tim,
por andar com Zé Maria,
teve depois triste fim,
foi executado em seu escritório
pelo policial Pé-de-vinvin.
Renê era suspeito
de ter ajudado a atirar,
Coronel Farias, amigo das vítimas,
quis então se vingar
e mandou Pé-de-vinvin,
com promessa de lhe ajudar.
O servidor público Cláudio Melo,
que andava com Renê e Zé Maria,
também foi para a cadeia
por beberem juntos naquele dia,
embora Zé Maria afirmasse:
- Só eu atirei - com ousadia.
Quem tem muito dinheiro
tem outro cheiro
prisão
é pra quem vai pra debaixo
do chão
Zé Maria foi absolvido
as vítimas ficaram na mão.
Porém a vida é uma represa
de grandes e pequenas quedas,
é cortada de surpresas
que a mão do destino veda,
quem deve uma pedra
paga uma pedra.
Quatro anos se passaram
de sofrimento, angústia, solidão.
Zé Maria mudou de residência
para Imperatriz do Maranhão,
mas recebeu ordem judicial
para retornar à prisão.
Chegando a Teresina,
falou com seu advogado;
com muito dinheiro na mão,
seus galhos foram quebrados.
Passou a andar de bar em bar,
sempre muito bem armado.
Por outro lado, a polícia
já estava avisada:
com essa fera à solta,
todo cuidado é nada.
Fiquem de olho nele,
ou ele faz outra danada.
A amante de Zé Maria
vivia na Válter Alencar,
no meio da gente fina,
gozando a ternura do lar,
mas achando ele pouco,
resolveu lhe enganar.
Um viajante que ali
sempre a olhar passava,
vendo Sônia na janela,
com o olho piscava,
ela com sorriso aberto
um beijo lhe mandava.
Passaram a se encontrar
debaixo de sete capas.
Zé Maria desconfiou
que havia coelho na mata.
Pensou com seus botões:
Se é verdade, não me escapa.
Logo foi confirmada
a traição de sua amante,
tão grande foi sua dor
que teve de tomar calmante.
Com a mão no revólver, falou:
- Vai pagar caro, viajante!
Encheu a cara de cerveja
Zé Maria foi absolvido
as vítimas ficaram na mão.
Porém a vida é uma represa
de grandes e pequenas quedas,
é cortada de surpresas
que a mão do destino veda,
quem deve uma pedra
paga uma pedra.
Quatro anos se passaram
de sofrimento, angústia, solidão.
Zé Maria mudou de residência
para Imperatriz do Maranhão,
mas recebeu ordem judicial
para retornar à prisão.
Chegando a Teresina,
falou com seu advogado;
com muito dinheiro na mão,
seus galhos foram quebrados.
Passou a andar de bar em bar,
sempre muito bem armado.
Por outro lado, a polícia
já estava avisada:
com essa fera à solta,
todo cuidado é nada.
Fiquem de olho nele,
ou ele faz outra danada.
A amante de Zé Maria
vivia na Válter Alencar,
no meio da gente fina,
gozando a ternura do lar,
mas achando ele pouco,
resolveu lhe enganar.
Um viajante que ali
sempre a olhar passava,
vendo Sônia na janela,
com o olho piscava,
ela com sorriso aberto
um beijo lhe mandava.
Passaram a se encontrar
debaixo de sete capas.
Zé Maria desconfiou
que havia coelho na mata.
Pensou com seus botões:
Se é verdade, não me escapa.
Logo foi confirmada
a traição de sua amante,
tão grande foi sua dor
que teve de tomar calmante.
Com a mão no revólver, falou:
- Vai pagar caro, viajante!
Encheu a cara de cerveja
na esperança de o procurar,
foi à casa de Sônia
e começou a lhe espancar.
- Onde está seu vagabundo? -
pôs-se, enfim, a gritar.
As porradas eram tantas
que uma vizinha ouviu.
Correu ao telefone,
ajuda da polícia pediu.
Cinco minutos depois,
chegava a polícia civil.
Quando o carro parou,
ele pulou p'ra fora,
mostrando com os dedos:
- Dois minutos p'ra ir embora,
ou acabo com vocês
neste instante, agora.
A polícia meteu o rabo entre as pernas
foi à casa de Sônia
e começou a lhe espancar.
- Onde está seu vagabundo? -
pôs-se, enfim, a gritar.
As porradas eram tantas
que uma vizinha ouviu.
Correu ao telefone,
ajuda da polícia pediu.
Cinco minutos depois,
chegava a polícia civil.
Quando o carro parou,
ele pulou p'ra fora,
mostrando com os dedos:
- Dois minutos p'ra ir embora,
ou acabo com vocês
neste instante, agora.
A polícia meteu o rabo entre as pernas
por cima do rastro voltou,
contou tudo ao delegado,
que muito irritado ficou,
e com ordens mui severas,
mais agentes mandou.
A essa altura Zé Maria
bebia num bar em frente,
cismava com a cena da amante,
copo e mais copo, impaciente,
quando a polícia chegou,
já estava inconsciente.
A polícia então aproveitou
do seu estado de embriaguez,
o arrastaram pelo asfalto
com a maior estupidez.
Tentou pegar no revólver,
mas todos atiraram de uma só vez.
O corpo ficou estendido
na poça de sangue, abandonado.
Curiosos que chegavam,
ficavam indignados:
Para a multidão — Assassinos;
Para a polícia — Peito lavado!
Sônia, quando viu
o cadáver no chão,
pôs as mãos na cabeça
correndo em sua direção,
mas a polícia a pegou
e jogou no "camburão".
Levada p'ra delegacia,
deu sua explicação:
que amava Zé Maria
com força do coração,
e que suas brigas de ciúme
eram todas sem razão.
“Seu delegado, não tenho medo,
estou à sua disposição,
se quiser me matar no mato,
mas tenho a minha razão,
contou tudo ao delegado,
que muito irritado ficou,
e com ordens mui severas,
mais agentes mandou.
A essa altura Zé Maria
bebia num bar em frente,
cismava com a cena da amante,
copo e mais copo, impaciente,
quando a polícia chegou,
já estava inconsciente.
A polícia então aproveitou
do seu estado de embriaguez,
o arrastaram pelo asfalto
com a maior estupidez.
Tentou pegar no revólver,
mas todos atiraram de uma só vez.
O corpo ficou estendido
na poça de sangue, abandonado.
Curiosos que chegavam,
ficavam indignados:
Para a multidão — Assassinos;
Para a polícia — Peito lavado!
Sônia, quando viu
o cadáver no chão,
pôs as mãos na cabeça
correndo em sua direção,
mas a polícia a pegou
e jogou no "camburão".
Levada p'ra delegacia,
deu sua explicação:
que amava Zé Maria
com força do coração,
e que suas brigas de ciúme
eram todas sem razão.
“Seu delegado, não tenho medo,
estou à sua disposição,
se quiser me matar no mato,
mas tenho a minha razão,
do jeito que mataram Zé Maria,
não se mata nem ladrão.
O delegado então falou:
"A senhora pode ir embora,
fique, porém, sabendo
que não ponha o pé pra fora.
do jeito que a coisa tá,
quer pegar o pato é a senhora.
Ele tem muitos irmãos,
cada qual o mais valente.
com a senhora metida nisso
é melhor olhar pra frente:
Evite comentar com jornalistas,
para a boca não ficar mais quente.
Sônia deixou a delegacia
na maior velocidade.
Chegando em sua casa,
arrumou as coisas pela metade,
não despediu nem dos vizinhos
e se mandou da cidade.
Assim, leitor amigo,
na justiça ninguém tem fé,
é como mulher sem vergonha,
que põe “lavagem” no café,
o homem vai pro trabalho,
ela vai pro cabaré.
Quem tem dinheiro hoje em dia
é visto dono do mundo:
mata, tortura, desonra
e passa cheques sem fundos,
vive numa sociedade
cada vez mais sugismundo.
Assim continua a vida,
quem quiser que se defenda:
se é de morrer, mate,
tire dos olhos a venda.
Justiça só a de Deus,
o resto é truque, é lenda.
não se mata nem ladrão.
O delegado então falou:
"A senhora pode ir embora,
fique, porém, sabendo
que não ponha o pé pra fora.
do jeito que a coisa tá,
quer pegar o pato é a senhora.
Ele tem muitos irmãos,
cada qual o mais valente.
com a senhora metida nisso
é melhor olhar pra frente:
Evite comentar com jornalistas,
para a boca não ficar mais quente.
Sônia deixou a delegacia
na maior velocidade.
Chegando em sua casa,
arrumou as coisas pela metade,
não despediu nem dos vizinhos
e se mandou da cidade.
Assim, leitor amigo,
na justiça ninguém tem fé,
é como mulher sem vergonha,
que põe “lavagem” no café,
o homem vai pro trabalho,
ela vai pro cabaré.
Quem tem dinheiro hoje em dia
é visto dono do mundo:
mata, tortura, desonra
e passa cheques sem fundos,
vive numa sociedade
cada vez mais sugismundo.
Assim continua a vida,
quem quiser que se defenda:
se é de morrer, mate,
tire dos olhos a venda.
Justiça só a de Deus,
o resto é truque, é lenda.
Zé Magão, em
"A Chacina do Posto King e a Desforra de Valter Alencar"
Teresina/PI, 1978
(esse exemplar faz parte do acervo Arnaldo Albuquerque,
cuidado por Bruno Baker)
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