"Poeminha Filho da Pura", por Chico Castro




Carne é carne, peixe é peixe.
É tudo carne?, sim, é tudo carne.
Mas peixe é peixe, carne e carne.

Tudo me arde.
Pois, então, amém, assim seja.

Ouro não é ouro, seixo não é seixo.
Ou ouro é ouro e seixo é seixo?
Do jeito que você me der, eu aceito.
Tudo o que você tocar, eu danço.
Tudo o que não tocar, eu lanço.

É ou Noé?
Homem é homem, mulher é mulher.
É ou Noé?

Posso misturar, tudo posso.
É ou Noé?

Mas sou devoto de São José.
Tudo pode, às vezes, acho que não
Assim diz meu coração.
Sou careta? E se for?
Então o mundo se acabou.



poema inédito em livro
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