"Teresina, o lugar ideal", por Arnaldo Boson Paes




Em 1979, Agnelo atendeu ao chamado dos primos Adelino e Erotides e resolveu conhecer Teresina e suas possibilidades, decidido estava a encontrar um lugar mais adiantado que Campo Alegre de Lourdes para o prosseguimento da educação formal dos flhos. Brasília não o agradou, portanto, não custava nada conhecer a terra onde os primos haviam se estabelecido, onde viviam muito bem.

Teresina, encravada na Chapada do Corisco, única capital do Nordeste localizada no sertão, ainda tinha ares de província - mas já anunciava um desenvolvimento que atraia a atenção das pessoas que a viam com potencial de crescimento diferenciado de outros rincões: havia bons colégios que já eram referência regional.

Com uma população que ainda não chegava 400 mil habitantes - 377 mil, contava o IBGE - Teresina era uma cidade pacata, mas já se descortinando para ares de capital. Nos anos 70, a cidade ganha seus primeiros grandes conjuntos habitacionais, bem como avenidas novas que rasgam a capital em todas as direções. A zona Leste começa a atrair investidores e os ricos transferem suas residências para o outro lado do rio Poty. A capital piauiense crescia economicamente e culturalmente: é essa Teresina em franco desenvolvimento que Agnelo vai encontrar em 1979.

A cidade descrita pelos primos não decepcionou Agnelo. As avenidas largas, o clima quente e seco, os colégios tradicionais e a Universidade Federal do Piauí, já bem conceituada em toda a região, a cena cultural em efervescência associados a um certo ar provinciano encantaram Agnelo. Teresina era a cidade ideal para seus meninos continuarem os estudos e, quem sabe, até mesmo morar, trabalhar, seguir na vida.

Os passeios pela Praça Rio Branco, no centro da cidade, agradavam muito a Agnelo - que gostava daquela simplicidade, daquele hábito que em muito lhe lembrava os encontros com os amigos em Campo Alegre de Lourdes. Ele tinha certeza de que os filhos se dariam bem numa capital que não tinha a suntuosidade de Brasília, não tinha a pujança de São Paulo nem a movimentação turística que já assolava Salvador, mas tinha um acolhimento singular.

A Praça Pedro II, com o Theatro 4 de Setembro, era um cartão postal que reluzia nos olhos de Agnelo, pela singeleza do complexo. A cidade, embora nova, com apenas 127 anos de fundação, apresentava algumas construções antigas e logradouros que remetiam a décadas atrás - ao mesmo tempo em que deixava no visitante a sensação de franco desenvolvimento. Não era uma cidade verticalizada, mas já denotava uma certa contemporaneidade.

Agnelo percebeu também que a noite era convidativa para passeios, para a diversão saudável: Teresina já contava com vários pontos, com opções variadas - o que não existia no início dos anos 70. A Churrascaria Beira Rio, na Avenida Maranhão, com a Avenida José dos Santos e Silva, era o endereço certo para quem queria jantar, ouvir boa música e dançar na primeira boate da cidade.

O Bar Maracanã era outro local ideal para se refrescar tomando uma cerveja bem gelada, comendo tira-gosto, batendo papo - uma cidade ainda provinciana - mas já com ares de capital. Outra opção era o Restaurante Asa Branca, na Avenida Frei Serafim, onde se reunia a juventude. Agnelo a tudo observava, porque os filhos eram jovens e, seguramente, precisariam sair, arejar a mente, estar em consonância com o movimento da cidade.

De retorno a Campo Alegre de Lourdes, Agnelo estava convencido de que Teresina era a cidade ideal para os filhos continuarem os estudos. De comum acordo com Lourdes, estava decidido: em fevereiro do ano seguinte, 1980, voltaria a Teresina para matricular os quatro filhos mais velhos: Maria do Carmo - para se submeter ao vestibular - Agnaldo, Maristela e Arnaldo - para cursarem o segundo grau.



Arnaldo Boson Paes, em
AGNELO PAES LANDIM - Uma vida, muitas histórias
Teresina: 2015


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