ODE ÀS COCOTINHAS



um dia desses sonhei
que de repente virei
imaginem, o latorraca.
as seis horinhas da tarde
caminhei descontraído
pelo canteiro central
da iluminada frei serafim.
vi aquela aglomeração
na altura do colégio 
das nossas santas irmãs.
era um enxame gigante
da mais bela espécime
a vicejar na paróquia
elas me viram
eu lhes vi
e qual não foi o ouriço
que o trânsito daquela hora
fez parar e engarrafou.
me dá um autógrafo de cá
me dá um beijo de lá
me mete a mão por aqui
que eu sei também que é ali.
o sonho que tava lindo
foi virando pesadelo.

eu, no sufoco de ter
na boca um chiclete
um sorvete, um picolé,
acordei gritando
acode, mamãe. 



Zeferino Alves Neto
em Revista Cirandinha

Número 1, Teresina: 1977

2 comentários:

blogdozan disse...

aviso aos poetas, que depois de ter perpetrado esses delitos literários, eu nunca mais reincidi nessa prática... a culpa foi do menezes de morais, mas isso é história antiga demais pra gente relembrar...

Rodrigo M Leite disse...

Qual nada Zeferino. Um dia desses a gente até revive essa história por aqui.

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