PASSEIO PELA CIDADE DO SOL




Sentada no banco da Praça da Bandeira
o vento todo precipitado
moldava as palavras
derramadas sobre a folha do Caneleiro.
Estiquei os dedos até agarrar
a outra ponta do tempo, e
uma gota de orvalho respingou
no canto norte da cidade.
Dois rios se uniram alegremente.
E o espaço nu e tímido,
agora escorria entre linhas
um quente marrom-esverdeado.
Aceitamos o convite.

Sutilmente
nos traços suaves do Mestre -
agarrei o sol intenso aderido ao sorriso
da senhora do lenço macramé.
E a luz que se esvaía dos poros
fez a alegria pertencer
à nervura sinuosa da folha.
Da ponta sobre o papel.
Das flores na cerâmica azul.
Do boneco Crispim
sobre a estante de madeira cor de cajuína.

Entretanto,
foi de tanto pousar no olhar do povo acolhedor
que a vida tomou as palavras pra si,
E eu, sentada no banco da mesma praça,
vislumbrei o seu mergulho eterno,
ziguezagueante,
sob o céu de Teresina.



Raisa de Caldas Castelo Branco
em TERESINA: Um Olhar Poético
Teresina: FCMC, 2010
Organização de Salgado Maranhão

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