ANOTAÇÕES SOBRE A CIDADE ALHEIA




os telhados falam do que não conhecemos, eles falam a língua dos musgos, da tinta seca, das telhas velhas: pegadas-perdidas-de-elefante. as paredes se escoram na flacidez do tempo, preguiçosas e pacientes, acordadas pelo som coletivo das matracas e o movimento das ancas dos cazumbás. a obesidade da cidade é um fato; suas estrias vazam – e nelas andamos. pequenas estações em cada fiapo de cimento ou planta, sombra do que se move e não pode ser segura, presa, pisada. a cavidade lasciva da brisa se faz caminho: sessão de filmes-sonhos no horário das pálpebras fechadas: – não quero que os galos me avisem que está amanhecendo.



em Insólito 
Fortaleza: Editora Corsário, 2011

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