TERCEIRO CONTINHO TERESINENSE


para o Maestro Emanuel Coelho Maciel


No cais do rio Punaré, um homem arrancava notas tortas de um violino, lembrando as travessuras de Villa-Lobos. Aparentava setenta anos. Era tão estranho à paisagem, como o rosto de Marilyn Monroe na tela do Cine Olympia, nas vesperais inesquecíveis.

Meninos passavam, quixotescos e distantes. Um cão ladrava inquieto. Uma mariposa peralta fazia cena. A chuva caía mansamente, envelhecendo o domingo.



Paulo Machado
Revista AO, número 2
Teresina: dezembro de 2011

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