TER É SINA II




cidade sem memória
sol e sombra do nada
sitia os deserdados

o fogo o terror nas casas de palha
os pedaços da doméstica
quarentinha bibelô nicinha

guerra silenciosa e
capital redistribui os espaços
da fome e dá forma à frei serafim

os anos fiados em miséria
perdidos à sombra do tempo
perpetuados à luz do dia
fabricados armazenados

teresina: claudino & cia
tajra tajra tajra taJRa tajra tajra

à igreja do santo negro
submersa em lendas
superpõe-se as torres
do amparo e a crença dos fiéis

paisagem artificial
se interpõe à brisa libertina
espigões tramam a colheita diária
de calor e cansaço

um monumento à morte
potycabana anfiarte
divisa a linha da vida
na miragem das coroas

ao lírico por do sol
avermelhando as cortinas
o rio se dá assoreado fulminado
entre navios sonâmbulos
paruaçu, rio de sonho, salve, salve.

um pescador de horizontes
senamora sete moças virgens
sobre o neon de natal da ponte
pára-raios vigiam o mito
coriscos já não riscam noite
não se pode dizer de lendas
antenas sensíveis decifram céu de enigmas



Elias Paz e Silva
via Recanto das Letras

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