TERESINA




Teresina é uma menina vestida de céu
Que guarda nuvens nos seus olhos de água

É um fio de horizonte que se desprendeu dos cabelos do sol
É um sorriso manso, manchado de cajuína
É a vontade dos pés descalços
De desmaiar sobre o asfalto em chamas

Teresina é uma dama vistosa
Repleta de coroas e anéis
É uma tina de barro lambuzada de paçoca
A coceira de muriçoca
O riso largo dos que nasceram perto d'água

Teresina é o vaso queimado no fundo do quintal
O cheiro de palavra lavada no varal das sestas
É a fresta onde o acaso se traduz

Teresina não é rua, nem rio
Não é esquina, nem casa
Não é um cata-vento, nem peixe
Não é um cão sarnento ou cadela vira-lata

Teresina é uma menina de saia rodada
Que gira gentileza
E desperta para o crescimento

É uma cidade menina
Que brinca nas tranças do tempo



Mônica Montone
em TERESINA: Um Olhar Poético
Teresina: FCMC, 2010
Organização de Salgado Maranhão

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